ESPELHOS DE VER POR DENTRO
Curadoria Miguel Falcão
Direcção de Arte Artur Pinheiro
EXPOSIÇÃO DO MUSEU DO NEO-REALISMO
O teatro é que deverá tornar-se num espelho de ver por dentro,
espelho de consciência, uma espécie de escafandro capaz
de permitir o mergulhar-se e descobrir quanto fica para
além da própria superfície que reflecte a imagem, tanto ainda
como o que está dentro da imagem
Citação de Alves Redol
Foi desta forma que Alves Redol, um dos mais reconhecidos dramaturgos neorrealistas, definiu ‘teatro’. Todavia, nesta exposição, o uso do plural (“espelhos”) reforça a abrangência de perspectivas de autores e obras convocados e, por conseguinte, de possibilidades — temáticas e formais — de projecção do real em cena.
O Teatro é, por natureza, a arte do colectivo e da comunicação directa com o público, características que colidem com a acção de regimes repressores, como foi a ditadura do Estado Novo em Portugal. Tendo em conta as elevadas taxas de analfabetismo,
o espectáculo considerado hostil ao poder instituído foi especialmente censurado, mais até do que o texto publicado. E, todavia, o mesmo poder utilizou o teatro como meio privilegiado de divulgação das suas políticas e dos seus valores.
O teatro produzido no âmbito do neorrealismo, quer na vertente textual quer na vertente performativa, pelas divergências ideológicas expectáveis de uma assumida cultura de contrapoder, foi uma das áreas artísticas mais vigiadas. Ao contar-se a sua história, a par das concretizações autorizadas, devem ser lembradas também as iniciativas clandestinas e os projectos que ficaram pelo caminho, muitos deles proibidos ou autocensurados.
Texto de Miguel Falcão
Inauguração
04 Julho — 21H00
Datas e Horário
De 04 a 18 Julho — 18H00 às 24H00
Local
Sala Polivalente da Escola D. António da Costa
Almada
